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A CESP foi constituída em 1966 pelo Governo do Estado de São Paulo, mediante a fusão de 11 empresas elétricas paulistas. Até o fim dos anos 1990, a Companhia era verticalmente integrada, atuando nas atividades de geração, transmissão e distribuição de eletricidade no Estado.

Em julho de 1996, a Lei Estadual nº 9.361 criou o Plano Estadual de Desestatização (PED), determinando a reestruturação societária do setor energético do Estado de São Paulo, com a alienação da participação societária detida pelo Governo do Estado nas empresas por ele controladas, incluindo a CESP.

Com o objetivo de atender ao PED, seus ativos e operações de distribuição foram reunidos em uma única Companhia, a Elektro e Serviços S.A., que posteriormente foi privatizada. Os ativos de transmissão de energia foram transferidos para a Companhia de Transmissão de Energia Paulista (CTEEP), que também foi privatizada. Os ativos e operações de geração foram divididos entre três empresas: a própria CESP, além de outras duas que foram privatizadas: a Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê, atual AES Tietê S.A., e a Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema, hoje pertencente à China Three Gorges Corporation – CTG Brasil. A CESP manteve-se como operadora de seis usinas hidrelétricas: Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera, Três Irmãos, Paraibuna e Jaguari.

Em 01 de novembro de 2000, o Governo do Estado publicou edital estabelecendo as condições para a venda de sua participação na Companhia equivalentes a 38,67% da totalidade do seu capital social, sendo 61,62% e 14% da totalidade das ações ordinárias e das ações preferenciais, respectivamente. A alienação foi suspensa quando nenhuma das seis empresas pré-qualificadas apresentou lance.

Em maio de 2001, houve nova tentativa de privatização, que foi posteriormente suspensa pelo Governo do Estado anteriormente à data proposta para o leilão, 16 de maio de 2001, em função, dentre outros fatores, da incerteza gerada pela iminente crise energética. O Governo do Estado anunciou, então, que a privatização da CESP estava suspensa.
Em 28 de junho de 2006, a Companhia concluiu a Oferta Pública Primária de ações preferenciais classe B, no valor de R$ 3,2 bilhões, decorrentes da participação do mercado em R$ 2 bilhões e do controlador, a Fazenda do Estado de São Paulo, em R$ 1,2 bilhão, conforme o Acordo de Realização de Subscrição e Integralização de Ações, celebrado em 10 de julho de 2006.

Em julho de 2006, a Companhia aderiu ao Nível 1 das Práticas Diferenciadas de Governança Corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBOVESPA). Adicionalmente, a Companhia assumiu um conjunto de boas práticas de governança corporativa, incorporadas ao seu Estatuto Social, que incluem a criação de uma nova classe de ações preferenciais – a Preferencial Classe B – à qual foi concedido o direito de recebimento de 100% do valor pago às ações ordinárias em caso de alienação do controle da Companhia (“tag-along”); a adesão à Câmara de Arbitragem da BM&FBOVESPA para a resolução de controvérsias de natureza societária; a manutenção de, no mínimo, 20% dos membros do Conselho de Administração obrigatoriamente independentes.

Em fevereiro de 2008, foi realizada nova tentativa de desestatização da CESP, para a qual não ocorreram interessados.
Após a publicação da Medida Provisória nº 579/2011, posteriormente convertida na Lei n° 12.783, de 14/01/2013, a CESP, ao não aceitar as condições propostas para a renovação das concessões, deixou de ser a concessionária responsável pela operação das Usinas Três Irmãos em 10/10/2014 e de Ilha Solteira e Jupiá, ambas ao final das suas concessões, em 07/07/2015.

Nos termos do Contrato de Concessão da CESP, extinta a concessão, a Companhia tem direito de ser indenizada pelos ativos ainda não amortizados. Em julho de 2014, a Companhia ingressou com ação judicial contra a União, pleiteando indenização de R$ 6,7 bilhões referente à Usina Três Irmãos, incluindo as eclusas e o Canal Pereira Barreto, tendo em vista que para o Poder Concedente o valor de indenização é de R$ 1,7 bilhão, base junho de 2012. O juízo deferiu em 09 de setembro de 2015 a produção de perícia de engenharia solicitada pela CESP, sendo que a perícia teve início “in loco” na segunda quinzena do mês de abril de 2017. Em 29 de fevereiro de 2016 houve decisão favorável ao ingresso do Estado de São Paulo na lide como interessado, com base no art. 5º, § único da Lei nº 9.469/97. As Usinas Ilha Solteira e Jupiá, cujas concessões venceram em 7 de julho de 2015, permaneceram sob a operação e manutenção da CESP, no regime de cotas, até a assunção do novo concessionário, ocorrida em 01/07/2016. Em outubro de 2015 foi ajuizada pela CESP ação indenizatória em face da União Federal, para o fim de que esta seja condenada a pagar à Companhia o montante devido a título de reversão dos bens e instalações vinculados à exploração da concessão da UHE de Ilha Solteira e Jupiá, ainda não depreciados. A Companhia entende que é seu direito receber o montante registrado em sua contabilidade atualizado monetariamente. O valor pleiteado por esses ativos é R$ 1,6 bilhão. A União Federal apresentou sua resposta à ação em 16.02.2016 e a CESP em 03.05.2016 reforçou suas alegações e direitos e além de requerer prova pericial contábil, documental. Aguarda-se a designação de perícia. Em 26/08/2016, o Estado de SP peticiona pelo ingresso como assistente simples da CESP, com que a Companhia concordou, porém em 22/02/2017, a União manifestou discordância ao ingresso do Estado de São Paulo à lide, que ainda é objeto de apreciação judicial.

Atualmente a CESP possui três usinas hidrelétricas, sendo uma delas instalada no Rio Paraná – Usina Engenheiro Sergio Motta (Porto Primavera – 1.540 MW), outra no Rio Paraibuna – Usina Paraibuna (87,02 MW), e a terceira no Rio Jaguari – Usina Jaguari (27,6 MW), totalizando 1.654,6 MW de capacidade instalada.

Com a publicação, pelo Ministério de Minas e Energia, da Portaria nº 258, de 22 de dezembro de 2016, a garantia física da Usina Porto Primavera foi reduzida de 1.017 para 992,6 MW totalizando 1.056,6 MW médios, que constitui a atual quantidade de energia própria que a CESP pode comercializar. A Companhia protocolou medida judicial contestando a decisão.

Em 05 de novembro de 2016, foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, Edital de Pregão Eletrônico n° 45/2016, que instituiu licitação tendo por objeto a contratação de serviços de consultoria a serem prestados ao Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Fazenda, consistentes na avaliação econômico-financeira, proposição de modelagem e execução da venda dos ativos mobiliários detidos pelo Estado, correspondentes a ações representativas do capital social da CESP.

O vencedor da licitação foi o Banco Fator S/A, que iniciou os trabalhos de avaliação e modelagem para a concretização da operação.

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